quarta-feira, 10 de abril de 2013
Aula 8 - Mecanismos de Controle do Balanço Hidroeletrolítico
Balanço e desequilíbrio da água corporal
Mecanismos de Controle do Balanço Hidroeletrolítico
Determinadas enzimas e hormônios, bem como o mecanismo da sede, interagem para a manutenção do equilíbrio normal de entrada e saída de água no organismo, contudo deve-se enfatizar que os rins são o maior responsável pela regulação do balanço hídrico. Os rins ajustam o balanço de água por eliminação (na forma de urina) ou retenção (por reabsorção) quando necessário. Porque a água e o sódio são intimamente relacionados à reabsorção de água acontece simultaneamente com a de sódio e vice-versa.
Mecanismo renina-angiotensina-aldosterona
O mecanismo renina-angiotensina-aldosterona é um componente importante para manutenção do equilíbrio dos níveis de água, hidrogênio ionte, potássio e sódio corporal bem como da regulação da pressão arterial sistêmica.
Situações que levam a uma baixa pressão de perfusão renal ou redução dos níveis plasmáticos de sódio (ex. hipovolemia) induzem as células justaglomerulares dos rins secretarem a enzima renina que é lançada na corrente sanguínea. Quando a renina alcança o Fígado esta ativa a angiotensina I. Nos pulmões a angiotensina I, por hidrolise, é convertida em angiotensina II, um potente vasoconstrictor que aumenta a pressão arterial e também estimula a córtex suprarrenal a secretar aldosterona.
A aldosterona regula a reabsorção de sódio no tubo contornado distal e coletor dos rins promovendo sua chegada à corrente sanguínea aumentando a natemia ao mesmo tempo em que promove a secreção de potássio e H+ na urina. É sempre uma troca de cátion por cátion. Para cada Na+ reabsorvido, é eliminado 1 K+ ou 1 H+. Quando o paciente apresenta hiperaldosteronismo verifica-se maior reabsorção de sódio, maior eliminação de potássio e H+ resultando no aparecimento de hipertensão arterial, hipocalemia e alcalose metabólica.
Porque sódio e água são intimamente relacionados à reabsorção de sódio acarreta também na entrada de água na corrente sanguínea. Como resultado, existe expansão do volume de sangue e aumento da pressão de perfusão.
O estimulo de produção de renina pelas células justaglomerulares dos rins é inibido nas situações de aumento da pressão de perfusão ou de alta da concentração plasmática de sódio (ex. hipervolemia).
Hormônio Antidiurético (ADH)
O ADH também conhecido como vasopressina é produzido nos núcleos supra-óptico e para-ventricular do hipotálamo e armazenado na porção posterior da hipófise.
A principal função do ADH é controlar a osmolaridade e o volume dos líquidos corporais. Os neurônios secretores são ativados em consequência do aumento na pressão osmótica ou redução da pressão hidrostática sanguínea. O ADH atua no néfron, favorecendo a abertura dos canais de aquaporinas no túbulo contorcido distal, impedindo que a água seja eliminada pelo ducto coletor, promovendo reabsorção da mesma com consequente aumento da volemia e pressão arterial. A osmolaridade plasmática normal ou baixa inibe a liberação de ADH, o que incita a excreção de água pelos rins.
Peptideo atrial natriurético (ANP)
Este hormônio é produzido e armazenado no átrio cardíaco, e é secretado na corrente sanguínea devido a um alongamento do mesmo em situações de incremento da pressão sanguínea ou do volume plasmático. Uma vez na corrente sanguínea o ANP inibe a secreção renal de renina com consequente decréscimo na produção de angiotensina I e aldosterona. Isto implicará numa diminuição da reabsorção tubular de sódio e água e um incremento na produção de urina. Com a eliminação de urina observa-se redução da pressão e do volume sanguíneo.
Mecanismo da sede
A sede é um desejo consciente de beber líquidos.
Situações que levam ao aumento das perdas hídricas produzem desidratação que pode ser classificada numa escala que varia de leve a grave.
Os estímulos fisiológicos da sede são os mesmos da liberação de ADH: hiperosmolaridade decorrente de desidratação hipertônica e hipovolemia. Nestas situações ocorre desidratação extracelular com consequente estimulação do mecanismo da sede. Quando o individuo esta com sede bebe mais líquidos. Quando os fluidos são ingeridos restabelecem-se os níveis normais de água corporal e a desidratação é aliviada.
Por outro lado, em situações de hiposmolaridade e hiperhidratação extracelular verifica-se, para manutenção do equilíbrio osmótico, desidratação do compartimento intracelular, com isto, advém inibição da sensação de sede em nível de osmorreceptores hipotalâmicos. O individuo ingere menos líquidos e observa-se aumento da diurese com consequente diminuição da volemia e aumento da osmolaridade plasmática.
Aula 7 - Balanço e desequilíbrios da água corporal
Balanço e desequilíbrios da água corporal
Balanço da água
A água é o mais abundante componente do fluido corporal e é exigido numa quantidade apropriada para o correto funcionamento do corpo.
O balanço hídrico nada mais é do que a computação das entradas e saídas de água de um sistema, sendo assim, o balanço hídrico corporal é o saldo da quantidade de líquido que entra e da que sai do indivíduo em um determinado intervalo de tempo.
Diariamente uma pessoa ganha e perde água por diferentes meios. Para que a quantidade de água no corpo seja preservada, isto é que tenha sempre a mesma proporção, é imperativo que os ingressos sejam equivalentes as perdas, uma vez que que o desequilíbrio induz ao aparecimento de alterações orgânicas sistêmicas que poderá por em risco a vida do individuo.
Ganhos de água (entrada)
Ganhos normais
O total de entrada de água habitual requerido pelo organismo de um homem adulto hígido é em média de 2500 ml (variação de 1800 a 3000 ml). Deste total aproximadamente:
- 1500 ml/dia correspondem a líquidos ingeridos
- 800 ml/dia como componente hídrico dos alimentos sólidos ingeridos
- 200 ml/dia constituído de água metabólica proveniente do metabolismo celular (oxidação)
Ganhos extraordinários:
Via Venosa
- Soluções intravenosas (IV)
- Nutrição parenteral total (NPT)
- Transfusão sanguínea
- Uso de coloides
Via Nasogástrica
- Sonda para alimentação
- Administração de medicamentos e líquidos
Perdas de água (saída)
Fontes normais
As perdas de água se processam através dos rins, pulmões, pele e trato gastrointestinal, podendo ser rotulada como sensível ou insensível.
O rim excreta aproximadamente 1500 ml/ dia de água sob o formato de urina. O rim é o principal determinante do equilíbrio de água e descarta ao menos 500 ml de urina ao dia necessária para a eliminação de solutos urinários, provenientes das excretas metabólicas.
A pele perde aproximadamente 200 ml/dia através da perspiração sensível (suor), contudo esta quantidade é altamente variável, pois depende da temperatura ambiente e da pratica de exercícios físicos vigorosos.
Como a maior parte de água produzida pelo trato gastrointestinal é absorvida. As fezes normais contêm 70% de água, as fezes duras entre 40 e 60% e em estados de diarreia as perdas de água são maiores. A quantidade de água contida nas fezes corresponde a aproximadamente a 200 ml/dia.
Perda insensível de água não é visível ou mensurável. Perda insensível de água ocorre através da perspiração e da respiração.
A pele perde aproximadamente 400 ml por dia através de evaporação (perspiração insensível), sendo esta quantidade amplamente variável dependente da temperatura ambiente e da presença de febre no individuo.
Aproximadamente 300 ml de água são perdidas através da respiração. Um aumento na frequência ou na profundidade do ciclo respiratório aumentará a perda de água.
Fontes anormais
Fontes anormais de perda de água incluem:
- Processo patológico que cause diarreia ou vômitos
- Diurese excessiva
- Sudorese excessiva
- Inserção de dreno cirúrgico
- Hiperventilação (aumento das perdas de vapor de água através dos pulmões)
- Trauma (pode causar sangramentos anormais ou hemorragias)
- Queimaduras (pode causar perda de área extensa da pele com perda sérica)
- Certos medicamentos (a exemplo dos diuréticos – produz aumento de perdas urinarias; antibióticos – pode causar diarreia como efeito colateral)
Balanço
O fornecimento de água é necessário para repor o que o corpo perde através das funções diárias normais. É preciso repor esta perda a fim de prevenir a desidratação.
Em constante renovação, uma pessoa adulta perde diariamente, em condições normais, uma média de 2,5 l de água, sendo assim, deveria, pelo menos, beber, estes dois litros e meio diariamente, para evitar a desidratação. Cerca de um litro é provido, cada dia, pelos alimentos, fruta e hortaliças. O resto é fornecido pelo consumo de seis a oito copos de água diariamente.
Aula 6 - Tonicidade
Eletrólitos
Tonicidade
Tonicidade é uma propriedade química observada nas soluções que estão contidas por uma membrana com permeabilidade seletiva (são permeáveis ao solvente da solução, porém impermeáveis a determinados solutos). Quando dois ambientes apresentam tonicidades desiguais, a tendência é que o solvente atravesse a membrana em direção ao lado de maior tonicidade, até que haja um equilíbrio de forças (as soluções se tornem isotônicas, a pressão osmótica seja alcançada ou haja rompimento da membrana). A fim de manter a homeostasia os líquidos corporais são iso-osmolares, ou isotônicos.
Soluções Isotônicas
É toda solução que tenha osmolaridade (índice do número de partículas em solução) muito próximo à dos líquidos do corpo. Na prática, uma solução isotônica apresenta concentração de sais minerais (especialmente sódio e potássio) e de açúcares muito próxima àquela encontrada no organismo. Como a pressão osmótica é igual no intra e no extracelular, o movimento de água para fora está balanceado com o movimento de água para dentro das células quando uma solução isotônica é infundida no paciente. Por ter a mesma pressão osmótica que o sangue não ocorre deformação dos glóbulos vermelhos.
Exemplo: uma solução de Soro fisiológico (cloreto de sódio a 0,9%) é isotônica em relação às hemácias e é chamada por isto solução salina isotônica.
Soluções hipertônicas
São soluções que apresentam concentração maior de solutos que a verificada nos fluídos corporais, assim sendo, há gradiente de pressão através das membranas quando as mesmas são administradas a um paciente. Uma solução hipertônica, por ter pressão maior que a obervada nas células e nos fluídos corporais, fará com que a água mova-se através da membrana celular com o propósito de diluir a solução mais concentrada, até que haja igualdade de concentração em ambos os lados da membrana. Como resultado, a célula ficara contraída. Ao perder água a celular também perde sua habilidade para funcionar ou dividir-se.
Exemplo de soluções hipertônicas: cloreto de sódio 10%, Manitol, Solução glicosada a 10%.
Soluções hipotônicas
Soluções hipotônicas são soluções que apresentam concentração de solutos menor que a dos fluídos corporais. Uma solução hipotônica tem pressão menor que a das células e fluídos corporais, portanto a água irá mover-se através da membrana celular a partir da solução de mais alta concentração até que a concentração em ambos os lados da membrana sejam igualados. As células, sem parede celular, inflam-se e podem explodir se o excesso de água não é removido da mesma.
Exemplo de soluções hipotônicas: Água destilada, Cloreto de sódio 0,45%.